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Visão, Tato, Audição, Olfato, Paladar

  • Writer: Lidia Amarante
    Lidia Amarante
  • Sep 20, 2020
  • 3 min read

Hoje chove! Que bom que é sentir o cheiro da terra molhada, passar as mãos nas folhas molhadas, sentir a sua textura e as gotas de água que me salpicam o rosto.

Ouvir o “trach” das folhas já secas debaixo dos pés e “splich” quando passo dentro de uma poça de água.


Hoje permiti-me fazer tudo isso e repetir o que me dava prazer na minha meninice. Agarrar a flor do Eucalipto que tantas vezes, nas minhas brincadeiras, servia de moeda ou de batatas para acompanhar os bifes ou o peixe que não eram mais que as suas folhas. Passar debaixo da Figueira e ficar com irritação no corpo devido à seiva das folhas. Fazer espinha de bacalhau com as agulhas dos pinheiros e umas quantas coisas mais.


Enquanto desfrutava destes momentos dei comigo a pensar que nós pais por questões de saúde e higiene acabamos por impedir as nossas crianças, durante a sua primeira infância, dos prazeres e aprendizagem através dos sentidos, principalmente do tato, em que o real, a sensação e impressão é muito mais importante que a mera informação da imagem.

Sei que não é fácil, principalmente no tempo presente em que a higiene é importante e deve ser tratada, digo, quase como uma obsessão leva a que coloquemos um pouco de parte a estimulação sensorial durante a primeira infância.

Mas, também estou ciente que para um bom desenvolvimento da criança não deve ser posta de parte nem descurada, tomando as devidas precauções de higienização dos objetos e tomando os cuidados nos locais onde decorre a estimulação sensorial, é de grande importância, principalmente na etapa dos 0 aos 3 anos de vida que a mesma seja praticada e estimulada.


É fácil? Não de todo porque a mente de qualquer pai e mãe funciona em função da saúde e bem-estar do seu filho.
Temos de pensar, sentir e refletir que para o seu bem-estar, tudo é necessário, e que é através da exploração sensorial, seja pela apresentação de uma simples caixa de cartão ou de uma folha que vá de encontro aos seus desejos de exploração, irá ajuda-lo a concentrar-se e conhecer o mundo tal e qual como é, adquirir as ferramentas que mais tarde o ajudarão no desenvolvimento de competências, como o desenvolvimento cognitivo, da linguagem, da coordenação motora, da atenção, do equilíbrio, da memória, da criatividade e social.


É difícil? Refletindo sobre a minha infância e a dos meus filhos e a oferta atual penso que sim e também que não. Devemos centrar-nos no não e conseguir ver que através de pequenas coisas, como evitar os brinquedos de plástico ou tecnológicos que limitam o desenvolvimento dos sentidos e trocar por outros de produtos naturais; pequenas atividades caseiras como os cartões ou tabuas sensoriais criados através de pequenas coisas que nos rodeiam; sempre que possível estimular as brincadeiras ao ar livre, onde os cheiro das flores, da terra, sentir relva ou a areia debaixo dos pés, abraçar uma arvore, sentir as gotas de água que o salpico de um regato ou cascata, o vento a correr no rosto… enfim uma infinidade de atividades que só a brincadeira ao ar livre proporciona mesmo que se sujem ou magoem. No final é gratificante ver e poder dizer: os meus filhos conhecem… identificam… e sabem que não devem fazer porque… Aprenderam a conhecer a realidade que os rodeiam, a avaliar os riscos e a tomar as decisões mais adequadas


A minha mente fervilha entre o que fiz e a infinidade de possíveis atividades, mas ciente que o importante é a qualidade e não a quantidade, como nos “diz” Maria Montessori a concentração da atenção requer estímulos progressivos, nada melhor que cada pai e mãe aproveitando os objetos do interesse da criança, facilmente identificáveis pelos sentidos, desenvolva as brincadeiras que melhor se adaptam aos seus rebentos e assim proporcionar-lhe um crescimento saudável onde tudo é um conhecimento e uma aprendizagem.


Adoro o cheiro da natureza e saber quando agarro uma bolota ou folha saber se é de Sobreiro ou Carvalho aquela menina, aquele jovem também





 
 
 

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