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Eu, Tu, Ele, Nós ... Somos o quê mesmo?

  • Writer: Lidia Amarante
    Lidia Amarante
  • May 29, 2020
  • 2 min read

Somos o que vivemos e partilhamos.


Somos feitos de encontros e desencontros que vivemos com os outros, feitos de instantes e de acontecimentos que nos fazem crescer, mudar e tornar-nos mais fortes ou mais fracos, dependendo muito das circunstâncias, momentos e do que está por baixo da nossa pele, do nosso coração e da nossa linha de pensamento que nos leva a agir segundo o que nos faz sentido que assim seja.


Somos o que está por detrás do olhar, de um sorriso, de umas lágrimas, de um gesto ou de palavras, somos um conjunto de sentimentos vivos e adormecidos na parede do nosso coração e em em momentos mais turbulentos ou de tempestade nos conduz a acções que nem sempre nos revemos ou pensemos ser capazes de ter, muito pouco usuais em nós. Acções que nos leva ao desconhecido do eu que julgamos e tantas vezes afirmamos ou julgamos ser e nas quais não nos reconhecemos.


São as tempestades interiores, as chamadas crises de identidade, a necessidade de encontro e reflexão pessoal que nos obriga a atravessar o nosso próprio deserto ao encontro da luz que nos ajuda a seguir em frente naquilo que muitos designam como sendo o nosso destino, sina, vontade e ainda os desígnios de Deus.


Não existe um caminho certo ou uma forma eficaz para esta travessia, uma travessia que muitas vezes lembra as tempestades de areia do deserto que tudo esconde e torna difícil encontrar o caminho correcto para cada "Eu ou Nós", cada um percorre o caminho a sua medida. Umas vezes caminha-se em silêncio, outras com alegria ou lágrimas, com coragem e determinação, ou simplesmente caminhando sem um fim concreto, uns conseguem outros não mas todos passamos por elas.


É através da travessia do deserto pessoal que somos conduzidos ao conhecimento pessoal e a ter a plena consciência das nossas acções.

O meu Eu, sempre que me permito por vontade, por convite ou por necessidade em efectuar a travessia do deserto, passo por passo, descubro novos pontos favoráveis ou menos desfavoráveis que desejo melhorar e que me sinto muito mais "Eu" quando me permito "SER" e "SERVIR" em detrimento do tão socialmente valorizado "Aparecer, Ter e Poder"


Sem aprofundar o que inspirou "Sophia de Mello Breyner Anderson" neste poema me refugio, leio, releio e me inspiro durante as minhas travessias


"Para atravessar contigo o deserto do Mundo"


Para atravessar contigo o deserto do Mundo

Para enfrentarmos juntos o terror da morte

Para ver a verdade para perder o medo

Ao lado dos teus passos caminhei


Por ti deixei meu reino meu segredo

Minha rápida noite meu silencio

Minha pérola redonda e seu oriente

Meu espelho minha vida minha imagem

E abandonei os jardins do paraíso


Cá fora a luz sem véu do dia duro

Sem os espelhos vi que estava nua

E ao descampado se chama tempo


Por isso com teus gestos me vestiste

E aprendi a viver em pleno vento



 
 
 

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