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Uma paixão, um vício, uma tentação!

  • Writer: Lidia Amarante
    Lidia Amarante
  • Jun 7, 2020
  • 2 min read

Azulejaria, sem dúvida é uma paixão que nutro com quase cinco décadas de existência. Em criança detinha-me em frente aos inúmeros painéis que decoram e revestem fachadas de edifícios públicos e privados, criava estórias à volta do que observava e sentia uma enorme curiosidade sobre todo o seu processo de produção e pintura. Adorava ouvir os trabalhadores e populares falarem dos feitos e orgulho de possuírem trabalhos ou faianças da Fábrica de loiça de Sacavém e Vista Alegre e mais tarde da Bordalo Pinheiro.


Não tendo tido oportunidade de seguir belas artes, a construção da minha moradia foi sem dúvida a porta que se abriu para o que tem sido três décadas de descobertas, formação, dedicação e experimentação.


Não foi fácil, mas também não foi difícil, foi acima de tudo dedicação, vontade e paixão. Lembro-me do desespero e ao mesmo tempo orgulho que senti no meu primeiro painel de 3 azulejos, após o treino do traço e das aguadas que estavam muito longe do que desejava conseguir e fazer, mas que ainda hoje mantenho e guardo para me lembrar sempre que devemos continuar em prol de um sonho.



A seguir a este foram 1800 azulejos que hoje decoram e revestem a minha cozinha, um verdadeiro puzzle e tormenta para o pedreiro acertar tudo. Sem grandes meios, apenas com cavalete, tinta e azulejos utilizava a mufla camarária para a cozedura, 200 azulejos de cada vez, alguns partiam-se e lá se ia a configuração e numeração, era necessário reproduzir, sem grande prática ou técnica a dificuldade persistia, mas com determinação e teimosia, que me é característica, foi ultrapassada. Longe da perfeição, mas sem dúvida feito com o coração.


A vontade da descoberta persistia e querendo fugir um pouco ao padrão tradicional da época, pesquisei, encontrei o que queria e mãos à obra, a casa ficou decorada como desejado. Respondendo desde já à questão colocada, se hoje mudaria algo, digo não, gosto do que fiz e mantenho.




Não parei mais, é como um vício, vejo uma imagem, imagino algo, desenho, ilustro um conto uma estória, retiro-me para o meu espaço onde tenho todos os meus materiais e deixo o pincel deslizar e contar o que pretendo mostrar, produza o que me pedem ou sei que desejam ter.





Uma das minhas maiores tentações é sem dúvida criar, mais do que simplesmente pintar, amo sentar-me, principalmente, com os mais novos que têm sempre algo em mente para contar e em conjunto, entre estórias, com um propósito ou não, azulejos pintar.





Sinto que ainda tenho muito que aprender, contar e fazer. E tu o que sentes ou pensas em relação à Azulejaria Portuguesa?

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